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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Mário Vendramel de volta à tela


Mário Vendramel de volta à tela

Considerado o “Chacrinha do Paraná”, o animador é tema de um documentário que resgata a história da tevê no estado

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Publicado em 06/08/2012 | LUIGI PONIWASS
Quem tem mais de 30 anos lembra que o Paraná já teve o seu próprio Chacrinha. Era Mário Vendramel, que durante 35 anos comandou o principal programa de auditório do estado, em três emissoras diferentes: TV Paranaense (atual RPC TV), TV Iguaçu (hoje Rede Massa) e Rede OM (atual CNT). Nesse período, o paulista de Presidente Prudente, que iniciou a carreira aos 11 anos narrando peladas do alto de uma paineira em Apucarana (veja quadro abaixo), consolidou-se como a cara do Paraná na televisão – e um símbolo do estado, tanto quanto a araucária, o pinhão e a gasosa Cini.

Reprodução
Reprodução / O apresentador com o Palhaço Piri, que é entrevistado no documentárioAmpliar imagem
O apresentador com o Palhaço Piri, que é entrevistado no documentário
Trajetória
Das “irradiações” futebolísticas do alto de uma paineira em Apucarana, até a morte, em fevereiro de 2000, por complicações causadas por diabetes, 56 anos se passaram na vida de Mário Vendramel – mais de meio século dedicado ao rádio e à tevê paranaense. Confira os principais acontecimentos da carreira do comunicador:
1932 – Mário Vendramel nasce em Presidente Prudente, interior de São Paulo.
1943 – Quando tinha por volta de 11 anos, já em Apucarana, começa a subir em árvores para “transmitir” os jogos de futebol do bairro.
Meados dos anos 40 – Consegue um emprego como operador de áudio na Rádio Difusora de Apucarana. Um dia, quando o locutor falta, é promovido. Mais tarde, seria eleito o melhor locutor esportivo do Paraná.
Anos 50 e 60 – Ficou mais de dez anos no rádio, onde foi ator e narrador de radionovelas, além de locutor de programas de auditório, como Carrossel de Emoções (com Ubiratan Lustosa) e Expresso das Quintas.
1965 – Deixa o rádio para se dedicar à agência de publicidade Mário Vendramel.
1969 – É convidado a apresentar um programa na TV Paranaense, Canal 12. O Maxi Show estreia no fim do ano, e seria a primeira atração em cores produzida no Paraná, e também pioneira em variedades – com a presença de artistas nacionais e locais, shows de calouros e gincanas escolares.
1971 – O Maxi Show começa a ser exibido também em Santa Catarina, numa parceria com a TV Coligadas.
1973 – O programa passa para as manhãs de domingo, já na sede do Castelo do Batel.
1977 – Recebe o convite para montar um novo programa na TV Iguaçu, Canal 4, com o seu nome. O Programa Mário Vendramel chega a dar 37 pontos de audiência no Norte do estado, e consegue empatar com o programa do Chacrinha na capital.
1979 – É procurado pela TV Rio e por uma emissora paulista para comandar um programa nacional. Viaja a São Paulo para acertar o contrato, mas na volta sofre um acidente na BR-116 e fica dois anos fora do ar. Nesse meio tempo, o programa foi apresentado pelo filho Itamar e por Mário Celso Cunha.
Final dos anos 80 – O programa passa a ser exibido na então Rede OM, atual CNT.
1992 – O Programa Mário Vendramel sai do ar.
2000 – Morre na madrugada do dia 9 de fevereiro, por complicações causadas por diabetes, depois de permanecer dez dias internado no Hospital Evangélico.
Fonte: Documentário Mário Vendramel – 35 Anos no Ar e jornal O Estado do Paraná.
Fora do ar há 20 anos, falecido há 12, o animador parecia fadado a cair no ostracismo. Até que uma jovem jornalista de 36 anos teve a ideia de fazer um documentário sobre a carreira de Mário Vendramel, depois de uma conversa despretensiosa com o marido – hoje produtor, mas que no pas­­­sado foi baixista de uma ban­­da de punk rock que se apresentou no programa – e com um amigo, Humberto Vendramel, que é neto do comunicador.
Com a palavra, Tatiana Es­­costeguy: “O meu marido [Sidnei Carli, que assina a produção do documentário] foi baixista da Abaixo de Deus, banda punk que chegou a se apresentar no Má­­rio Vendramel”, conta ela. “Estávamos conversando com o Humberto Vendramel, neto dele e nosso amigo, sobre o ecletismo do Mário: ele era capaz de apresentar uma dupla sertaneja, um show de dublagem, um artista consagrado e uma banda punk, como o Beijo AA Força, tudo na mesma tarde. Então pensamos: ‘E se a gente fizesse um documentário?’. Conversamos com um dos filhos dele, o Lincoln, que adorou a ideia, fizemos um projeto e o inscrevemos na Lei Rouanet.”
O projeto Mário Vendramel – 35 Anos no Ar foi aprovado, mas as dificuldades estavam apenas começando. “Eu só consegui captar metade dos recursos, mesmo tendo feito um projeto barato. O orçamento era de cerca de R$ 100 mil, e eu consegui R$ 45 mil”, revela.
Mas o maior obstáculo foi o habitual desleixo com a memória audiovisual no Paraná. “Não havia nenhum livro, a família não tinha quase nada, não havia nenhum registro no Museu da Imagem e do Som, e as próprias emissoras tinham pouquíssimo material do programa dele”, conta Tatiana.
Por causa disso, ela quase desistiu do filme: “Eu não imaginava que seria tão difícil, pensei algumas vezes em desistir, sim. Mas serviu como alerta inclusive para eu ter mais cuidado com o meu próprio trabalho, arquivar com mais cuidado”.
Documento
Só que esses percalços não transparecem ao assistir o filme de 30 minutos, que teve uma pré-estreia na Cinemateca no início de julho, apenas para a família e amigos do apresentador. O capricho na edição, com direito a efeitos especiais e dramatizações, e a riqueza dos depoimentos compensam a falta de uma quantidade maior de imagens de arquivo. Com destaque para a reprodução de trechos de uma entrevista concedida por Mário Vendramel ao jornalista José Wille, em 1997, e aos depoimentos dos familiares e colegas de trabalho, como Mário Celso Cunha, Ubiratan Lustosa, Chacon, o Palhaço Piri, Mauro Mueller e as inesquecíveis dançarinas, as “marietes”.
A família Vendramel também aprovou: “Como filho dele eu achei o documentário excelente, mas como profissional do audiovisual eu senti falta de uma quantidade maior de imagens de arquivo, embora eu saiba de toda a dificuldade que a Tatiana encontrou”, comentou por telefone o empresário Lincoln Vendramel, um dos entrevistados no filme, e proprietário da produtora V1 Cine Vídeo. “Lamentavelmente o Canal 4 queimou todas as fitas da época dele, porque ocupavam muito espaço, e praticamente não há registros do melhor período do programa; no Canal 12 era ao vivo, não tinha VT [vídeo tape, fitas que gravavam as imagens]; e, para piorar, a última mulher do pai jogou fora todo o material que a gente tinha na família”, lamenta. “Mas com certeza ele estaria orgulhoso desse filme.”
Ou seja, o documentário já é o principal registro do maior comunicador do Paraná, antes mesmo de ser lançado oficialmente. A jornalista Tatiana Escosteguy cedeu à RPC TV o direito de exibir o documentário em primeira mão, e a ideia é que ele seja transmitido pela ÓTV, mas ainda não há nenhuma data definida. Depois disso, o filme deve ter uma exibição pública na Cinemateca, antes de ser repassado às bibliotecas, escolas e museus do estado.
“É uma oportunidade para as pessoas matarem a saudade, e terem acesso a um programa que marcou época na tevê do Paraná”, resume a jornalista. “Para os mais jovens, acho que vai acontecer o que aconteceu comigo. Eu lembrava do programa, mas não tinha ideia do tamanho do sucesso, de que ele recebeu convidados do nível de Tim Maia, Nélson Gonçalves e Raul Seixas, e que chegou a empatar em audiência com o Chacrinha...”.
Como diz o próprio Mário Vendramel, na frase que encerra o documentário: “Graças a Deus, deu certo. O pessoal gostou de mim na televisão...”.
FONTE : CADERNO G GAZETA DO POVO

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