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sexta-feira, 13 de junho de 2014

Os santos juninos



Os santos juninos
 
Vamos conhecer um pouco os santos mais festejados no Brasil, Santo Antônio, São João e São Pedro. Todos os três morreram no mês de junho, donde, santos juninos. São João é, entre eles, o mais comemorado, sendo Santo Antônio o mais solicitado. São Pedro é lembrado na base da gozação por ter sido pescador e, sendo pescador... também, devido às suas fraquezas junto ao Mestre.

Santo Antônio, nascido Fernando Bulhões, em Lisboa, foi culto, advogado brilhante, orador vibrante, morreu muito jovem (36 anos), em Pádua (Itália), a 13 de junho (1195-1231), e não foi conterrâneo de Jesus, como os outros seus dois parceiros das festas juninas. Realizou o fenômeno da ambigüidade, duplicidade, bicorporeidade: estando pregando em Portugal, viu o seu pai ser julgado na Itália por um crime que não cometera. Continuou no púlpito fazendo o seu sermão, foi ao julgamento do pai e o livrou da prisão, apontando o verdadeiro criminoso.
Com 15 anos de idade entrou para a Ordem de Santo Agostinho. Posteriormente transferiu-se para uma ordem mais pobre, a de São Francisco, recebendo o nome de Antônio. É o patrono, o protetor das moças casadoras, por ter sido um jovem bonito e culto. Diz a lenda que tudo começou quando uma certa moça fez um pedido com promessa e deu certo, casou-se rapidinho. Mas as pretendentes a maridos abusam muito dele, fazendo-lhe propostas ridículas, como: cozinhar a imagem que o representa, no caldeirão de feijão; descê-la amarrada a um cordão ao fundo do poço, colocá-la de cabeça para baixo atrás da porta; enterrá-la, só voltando a imagenzinha ao seu nixo quando o noivo é encontrado, e com casamento.
— Meu Santo Antônio querido/ meu santo de carne e osso/ se tu não me dá marido/ não tiro você do poço.— Meu Santo Antônio querido/ eu vos peço por quem sois/ dai-me o primeiro marido/ que os outros ou arranjo depois.

Santo Antônio, além de casamenteiro foi, também, responsador: — Santo Antônio aplaca a fúria do mar/ tira os presos da prisão/ o doente torna são/ o perdido faz achar.
São João batizou e foi batizado por Jesus. Era o apóstolo querido do Mestre, seu primo. Quando sua mãe, Izabel, velha e estéril, estava grávida dele por milagre, foi visitada por Nossa Senhora, que desejava saber como tomaria conhecimento do nascimento do menino. Santa Izabel disse-lhe que faria um fogo com bastante lenha, à noite, no alto daquele morro, dando origem, assim, à tradicional fogueira junina. A fogueira, além de aquecer o frio do mês de junho, representa, também, o sol que fecunda a terra. Rezando com fé o Pai Nosso ou o Creio em Deus Pai, e invocando o Santo, atravessa-se descalço a fogueira sobre o braseiro sem queimar os pés. Pulando a fogueira, duas ou mais pessoas juntas, ficam compadres, padrinhos e afilhados: — Santo Antônio foi quem disse/ São João quem mandou/ que a gente fosse compadres/ São Pedro confirmou.

O mastro é levantado em dia de festa em homenagem ao Santo, tendo a sua estampa ao alto, marcando presença, e as frutas e flores colocadas no cimo são para pedir ou agradecer boas colheitas. Como São João é muito dorminhoco, muito custoso de ser acordado, utilizam-se dos maiores barulhos para despertá-lo, mormente após o advento da pólvora: — São João está dormindo/ não acorda, não/ acordai, acordai, São João.
Na véspera do seu dia, a noite mais longa do ano, devido ao solstício, não ha pedido de casamentos, mas tiram-se sortes para esse fim: a moça vai à pimenteira com os olhos vendados, e apanha uma pimenta: se for verde, casa com moço; se for de-vez casa com coroa; se for madura, casa com velho ou com viúvo. São centenas de sortes que a imaginação fértil do povo cria.
Quem pula a fogueira de São João sara do reumatismo e do atrofiamento das pernas. Há uma versão de que foi São João quem criou a dança da quadrilha, para desviar o povo que ia assistir às festas comemorativas das vitórias guerreiras e das colheitas fartas, onde os escravos indefesos eram sacrificados pelos gladiadores armados.
São João viveu 30 anos sozinho no deserto, comendo mel e gafanhotos. Foi sacrificado pelo rei Herodes, que mandou cortar-lhe a cabeça e servi-la na bandeja à Herodíades, a 24 de junho.

São Pedro foi um pobre pescador da Galiléia, que se chamava Simão. Nasceu às margens do Rio Jordão, junto ao lago de Genesaré. Morreu a 29 de junho de 67, juntamente com São Paulo. São Paulo foi decapitado e São Pedro, a pedido próprio, crucificado de cabeça para baixo, ao contrário do Nazareno. Apesar de ter sido, no início, de pouca fé, pois relutara em ir ao
encontro de Jesus sobre as águas, também o negando por três vezes (antes que o galo cantasse) e, em Roma, quando fugia de Nero, abandonando os seus discípulos, encontrou-se com Jesus e perguntou, admirado em vê-lo: — Quo vadis, domine? — e Jesus lhe respondeu, exemplando o fujão: — Morrer com as minhas ovelhas.
Foi São Pedro distinguido dos demais apóstolos, pelo Mestre: — Tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E dar-te-ei as chaves dos céus!
O velho santo foi o príncipe dos apóstolos e também o primeiro papa. Fazem-se gozações com São Pedro porque, além do passado, é o chaveiro do céu. O trovão é a barriga dele que está roncando, ou arrastando os móveis do céu. — Se São Pedro errou, eu posso errar também, dizem.
São Pedro gostava muito da sua sogra e Jesus a curou de uma febre muito forte, a seu pedido. A sogra era sovina e usava se jogar na velhice, coisas valiosas Rio Jordão abaixo, para adquirir-se passaporte para o céu. Ela jogou apenas cascas de cebola que, nem com o genro sendo o porteiro do céu, conseguiu entrar.
Bariani Ortencio

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